Com o boom de pessoas negras produzindo materiais sobre si na web, a socialização entre as mesmas se tornou muito mais frequente, mesmo quando muitos quilômetros de distância as separam. Essa troca de informação propiciada pelas redes sociais, não serve unicamente para o fortalecimento da comunidade negra sob a perspectiva de direitos civis, os laços afetivos que criamos dentro das redes, por incrível que pareça, também reverberam em nossas vidas fora da Web, afinal os cientistas confirmaram, existe vida fora da Internet. -risos-
Ultimamente um trecho de uma música do grupo Racionais Mc’s fala exatamente sobre como me sinto em relação aos crushs, e sobre como nós os idealizamos. “O que fazer quando a fortaleza tremeu. E quase tudo ao seu redor melhor se corrompeu?” Assim como o photoshop que pode mudar completamente uma pessoa, eis o Facebook que tem o poder de fazer exatamente o mesmo. A rede social serve como uma capa, esta que por sua vez irá exibir ao mundo apenas o que nós queremos. Por esse motivo não é tão difícil se apaixonar entre uma curtida e outra.
Por trás desta capa, no backstage, o que mais encontramos são informações desencontradas e falas que não condizem com as ações. dito isso, chegamos no ponto principal do texto, que infelizmente mais uma vez é a nossa solidão; a solidão do gay negro. Quando comecei a virar a noite em festas, como já contei antes, o que acontecia sempre era o boy chegar em mim na esperança de conseguir algum esquema com meus amigos brancos, o que mudou hoje em dia é que não tenho mais amigos brancos próximos e por esse motivo, não passo mais por este constrangimento, no entanto não posso evitar o ciclo vicioso de continuar sendo preterido e/ou trocado por homens brancos marombados pelos exercícios repetitivos da academia.
O grande problema nisso tudo não é necessariamente passar a noite sem beijar alguém, afinal, isso não é novidade pra mim. O problema são os laços que criamos via Web e que são destruídos pessoalmente. Estamos falando das emoções de terceiros em jogo. Quantas e quantas vezes cansei de ler mensagens de pessoas dizendo que queriam estar comigo, e quando tiveram a oportunidade, desfilaram com seu homem branco como um troféu. Eu sei que é muito mais fácil assumir este cara branco que mais parece o namorado da Barbie por causa da passabilidade social, mas minimamente sejam verdadeiros. Parem de vestir a capa de desconstruídos para ficar bem na Web.
A questão, é que agora não vou me contentar com o que me foi oferecido até hoje; migalhas. Para ficar com a bicha preta é preciso chegar no sapatinho, afinal nós não somos os brancos que vocês costumam pegar por aí. Pra sair comigo é preciso me bancar para a sociedade, não vou mais me encontrar contigo na surdina onde não podem nos ver, eu sou magnifico demais pra ser escondido nos quartos de motel barato. Eu vim da selva sou Leão, sou demais pro seu quintal, e por esse motivo não aceito ser tratado de forma inferior. E que não nos esqueçamos nunca que questão de gosto é construção social, no mais seguimos mais fortes do que nunca.
“Nós iremos nos emancipar da escravidão mental , porque , enquanto outros podem libertar o corpo, ninguem mas somente nós podemos libertar a mente . A mente é a única regradora, soberana. O homem que não é capaz de desenvolver e usar sua mente é obrigado a ser o escravo de outro homem que usa a mente … ” ( Marcus Mosiah Garvey , Nova Escócia, 1937)
“We are going to emancipate ourselves from mental slavery because whilst others might free the body, none but ourselves can free the mind. Mind is your only ruler, sovereign. The man who is not able to develop and use his mind is bound to be the slave of the other man who uses his mind …” (Marcus Mosiah Garvey, Nova Scotia, 1937)